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  • Luana Nunes

Equipe independente de pesquisadores apresenta respirador de baixo custo em Alagoas

Trabalho com o Respiral teve início em 24 de março e, sob liderança de militar, contou com participação de graduandos da Unit/AL


Por Mariana Lima – Algo Mais Consultoria e Assessoria

O início da noite de 17 de junho de 2020 ficou marcado para um grupo independente de pesquisadores em Maceió, capital de Alagoas. Após uma última rodada de testes, eles conseguiram concluir com sucesso o Respiral 2.0, um protótipo de respirador mecânico de baixo custo que pode ser utilizado em hospitais para socorrer pacientes graves de Covid-19. O Projeto Respiral foi iniciado no final de março, em pleno isolamento social imposto pela pandemia, e passou por diversos testes. A brava equipe que está apresentando o Respiral 2.0 à sociedade e à comunidade científica é composta por Rodrigo Santos, coordenador do projeto e militar de carreira do Exército, que possui conhecimentos nas engenharias Química, Mecânica e da Computação, Matemática, Física e resgate; Thiago Sandes, engenheiro eletricista, empresário e consultor técnico; Cleberson Machado, engenheiro mecatrônico, atuou na Programação Embarcada; Bruno Martinelle, atuou no projeto de Modelagem 3D Estrutural e cursa o 7º período de Engenharia Mecatrônica no Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), mesma instituição que formou Cleberson. Bruno e Cleberson entraram no projeto através de outro aluno de Mecatrônica da Unit/AL, Ícaro Santos, do 9º período, que participou da equipe do primeiro protótipo, apresentado em abril. Após Stories no Instagram de Ícaro, ambos quiseram saber mais sobre o Respiral, se voluntariaram para participar e entraram logo nos primeiros dias de pesquisa. Graduado em 2018, Cleberson viu no Respiral uma forma de aproximar-se de projetos na área médica, um interesse desde a época do curso. Mesmo diante do risco de quebrar o isolamento para estar na rua e em contato com outras pessoas, o jovem engenheiro viu uma possibilidade de ajudar o próximo com seu conhecimento. “Acabamos trabalhando com todas as áreas da Mecatrônica. Para fazer a estrutura física, usamos a Mecânica, onde fizemos a modelagem, dimensionamento e toda a estrutura. Depois vem a Eletrônica, o hardware, que é a parte que vai estar em contato com a Mecânica para fazer todo a operação. E, por último, fizemos a Programação para unir tudo, ensinando como o equipamento vai funcionar”, explicou Cleberson Machado. Bruno Martinelle enfrentou um desafio à parte para participar do projeto. Não por ainda estar cursando Mecatrônica e, em tese, aprendendo seu caminho no ofício, mas por morar em Boca da Mata, a 80km da capital. Com as aulas presenciais suspensas e a cidade fechada por causa do coronavírus, ele não teria como se deslocar para Maceió e participar da pesquisa. A solução foi mudar-se temporariamente para o ‘quartel general’ e laboratório do Respiral, a casa do sargento Rodrigo. “Vai ser uma satisfação muito grande terminar e poder ver esse projeto salvando vidas, isso não tem preço. Tenho como missão depois disso tudo mostrar a importância do nosso curso, compartilhar minha experiência com os alunos das Engenharias e mostrar como podemos fazer a diferença em nossas áreas. Dizer dos profissionais e empresas que eu nem sabia que existiam em Maceió e pude conhecer, um networking muito grande que vai fazer a diferença quando eu for começar minha carreira, mas que é um conhecimento que não precisar ficar só restrito comigo”, afirmou Bruno. E, com a propriedade de quem viveu uma ‘imersão Respiral’, ele reconhece os colegas de projeto. “O sargento Rodrigo está sendo exemplo para mim em dedicação e lealdade à equipe, o Cleberson também. São duas pessoas que eu espero andar junto para o resto da minha vida. Vou levar essa experiência para contar no futuro, que participei disso enquanto todo mundo estava em casa e mostrar às pessoas que elas também são capazes”, revelou Bruno Martinele. Rodrigo Santos também reconhece o empenho e a competência técnica dos jovens engenheiros, em uma troca mútua. Se por um lado ele atualizou seus conhecimentos diante de tecnologias mais modernas, do outro os jovens tiraram lições do ‘jeito militar’, com cumprimento de horários, prazos, persistência e foco no objetivo final, pois a missão é salvar vidas. “Eu tiro meu chapéu para eles, é muito cômodo e até normal ficar em casa durante uma pandemia, mas eles escolheram outra coisa. Eu saía para aquisição de materiais, tive muitas conversas presenciais com profissionais de saúde que estão trabalhando em UTI, tive que ter contato com muitas pessoas e eles colocaram a cara a tapa comigo. Foi um risco que assumimos ter, mas encaramos tomando todas as precauções necessárias. E ainda mais como um trabalho voluntário. O programa que o Cleberson desenvolveu é complexo, assim como as modelagens que o Bruno fez, eles poderiam ganhar um bom dinheiro com isso, mas a nossa proposta aqui é outra, é de ajudar o próximo”, afirmou Rodrigo.

Palavras que muito orgulham pais e professores dos rapazes, garante o reitor do Centro Universitário Tiradentes, Dario Arcanjo. “Resgatamos, mais uma vez, nosso compromisso com a responsabilidade social através desta parceria com o Exército Brasileiro visando disponibilizar um equipamento que possa auxiliar os pacientes no combate ao Coronavírus. A Unit Alagoas se orgulha do novo parceiro Rodrigo Santos e dos seus discentes, que utilizaram os conhecimentos adquiridos para contribuir com a melhoria da qualidade de vida da nossa sociedade. Esta é a missão e o compromisso da nossa instituição”.


Como funciona o Respiral

A proposta do Respiral é oferecer uma alternativa de baixo custo aos equipamentos de saúde para o respirador pulmonar, aparelho bastante solicitado para tratar pacientes graves de Covid-19, uma pandemia que, infelizmente, ainda está longe do fim. Ele utiliza acionamento pneumático e válvulas solenoides como princípio de funcionamento para gerar ventilação aos pulmões de forma mecânica.



O equipamento possui sensores de fluxo de ar, de pressão e de volume, com display touch para configuração de parâmetros por parte do profissional de saúde de acordo com as necessidades do paciente. “Ver o protótipo pronto é uma sensação de dever cumprido. Foram muitos empecilhos que tivemos e nesse momento de pandemia tudo se tornou um pouco mais complexo, porque estava tudo fechado, as pessoas em casa. Mas é o dever cumprido, fizemos nosso melhor.


É como se eu tivesse saído para uma operação de resgate e tivesse tido êxito. No dia que o Respiral salvar a primeira vida, acredito que será uma felicidade similar ao nascimento do meu filho, que foi a maior felicidade que tive até hoje”, declarou o Sargento Rodrigo.

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