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Introdução alimentar

Atualizado: 10 de jun.

Período integra os primeiros 2 anos da criança e molda os hábitos alimentares


Por Anna Sales – Algo Mais Consultoria e Assessoria


“Quando veem o Ravi comendo e raspando o prato apenas com alimentos naturais e sem nenhum tipo de fórmula ou suplementos, até quem critica por respeitarmos o tempo dele fica impressionado”. Essa fala é de Ana Alves, mãe do Ravi, de 8 meses. Mesmo diante das críticas, ela reconhece a importância da introdução alimentar na vida do filho.


O período da introdução integra os primeiros mil e cem dias da criança e vai desde a pré-concepção até o segundo ano de vida. Tudo que é feito com relação à alimentação e estilo de vida pode impactar a curto, médio e longo prazos, inclusive em doenças futuras. Por isso, é importante que os hábitos alimentares sejam saudáveis, pois se consolidarão nessa fase.


Segundo Danielle Alice, docente do curso de Nutrição da Unit/AL, o momento para introdução alimentar é o sexto mês, pois até ele, o ideal é a alimentação exclusiva com leite materno. No caso de crianças que não possam ser amamentadas exclusivamente até o sexto mês, a introdução alimentar pode ser antecipada para o quarto mês de vida.

“Orientamos que o alimento já seja oferecido de forma minimamente triturada, ou seja, não é para liquidificar nem peneirar, apenas amassar com o garfo, ou ainda oferecer o alimento em cortes. A família pode optar por esses dois métodos ou o tradicional, que é a forma de papinha, mas sem liquidificar e triturar. Ainda existe a possibilidade do BLW (Baby Led Weaning), que é o desmame guiado pelo bebê, onde o alimento é oferecido em pedaços com cortes específicos para que essa criança também não corra o risco de se engasgar ”, explica Danielle.

Cada fase, um tipo de alimento

Ana Alves conta que inicialmente, Ravi está sendo apresentado às frutas, legumes e raízes, de preferência orgânicos. “Até agora o favorito foi macaxeira e ele não gostou nem um pouco de banana, mas com calma e respeitando o tempo dele, vamos experimentando novos alimentos e oferecendo novamente o que ele não gostou”, relata.


De acordo com a nutricionista, a ideia é que no sexto mês a base dessa introdução seja frutas, vegetais e tubérculos, especialmente por serem mais fáceis da criança ingerir. No sétimo mês, já se pode colocar as proteínas, ovo, frango, peixe, carne bovina e suína. Também é possível inserir crustáceos, mas com cuidado caso haja um histórico familiar de alergia. Paralelo à isso, se mantém o aleitamento materno à livre demanda, ou seja: quando a criança quiser mamar, ela deve ser amamentada.


Ela cita também alguns alimentos que não devem ser introduzidos até os dois anos de idade. “A preparação da alimentação deve ser isenta da adição de sal e de açúcar e de qualquer outro tempero industrializado. Também é orientado que não se faça introdução de mel, pelo risco de intoxicação. Até o primeiro ano de vida, não deve ser ofertado suco. Isso porque a criança tem a capacidade gástrica pequena, e se eu gasto essa capacidade gástrica dando suco, que tem pouca caloria, eu prejudico a oferta energética para essa criança. Guloseimas, salgadinhos, macarrão instantâneo e alimentos que entram no grupo de ultraprocessados, também não devem ser introduzidos”, reforça Danielle.


Vontade x Curiosidade: como diferenciar?


Uma dúvida gerada nos pais de primeira viagem é sobre diferenciar a vontade da curiosidade da criança para provar um novo alimento. A nutricionista explica que, na verdade, são coisas que vão andar juntas. A criança, depois do sexto mês, vai ter marcos do seu desenvolvimento e entre eles, o avançar da cognição. É natural que, ao ver um novo alimento, tenha curiosidade. Para isso, a nutricionista orienta que a criança deve pegar, cheirar e sentir a textura.


“Com isso, ela literalmente não apenas experimenta o sabor do alimento, mas também tem esse estímulo sensitivo, de textura e cor, para além do sabor. Inclusive, essa questão de aproveitar o momento da introdução para fazer esse estímulo sensorial é uma das bases do método BLW. Porque ele prevê dar essa autonomia à criança, para ela pegar e sentir”, completa Danielle.