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Mulheres ao mar: liderança feminina

Atualizado: Set 24

Elas conquistaram espaço até no fornecimento de suprimentos e serviços para navios, áreas que eram predominantementes masculinas


por Iracema Ferro - Algo Mais Consultoria e Assessoria


As mulheres estão, cada dia mais, atuando em mercados que antes a predominância costumava ser masculina. Elas chegaram devagarinho, mostraram sua competência e, há algum tempo, conquistam postos de liderança nas mais diversas áreas. Na empresa alagoana Maritime Ship Service, que fornece produtos e serviços para navios, as mulheres ocupam lugares de destaque como Supervisão de Qualidade, Direção de Recursos Humanos e Gestão de Compras.


A Maritime é dirigida pelo empresário Thiago Nascimento, que conta os critérios para a escolha dos cargos de liderança em sua empresa. “Temos diversas mulheres em função de liderança na Maritime. Confesso que foi um movimento muito natural. Não tinha preferência por mulheres ou homens para essas funções. O importante mesmo é a competência e acredito que quando se pensa assim, homens e mulheres competem igualitariamente e a vaga é ocupada por competência e não por preferência ou gênero”, sentencia Thiago Nascimento, destacando estar muito satisfeito com o desempenho das mulheres que lideram a Maritime.


Mais do que as palavras do empresário, as ações e o quadro de colaboradores falam por si só: metade dos cargos de liderança da Maritime, que atende os portos de Suape (PE), Recife (PE), Natal (RN), Cabedelo (PB), Maceió (AL), Barra dos Coqueiros (SE), Salvador (BA) e Aratu (BA), é composto por mulheres.


Estabelecer conexões e uma boa comunicação


Responsável pela Supervisão de Qualidade da Maritime, Beatriz Tavares revela os desafios de atuar na liderança de um setor essencialmente masculino. “Ocupar esse cargo é um aprendizado diário. Eu estava há 10 meses formada e antes de entrar na Maritime trabalhava apenas com consultoria em restaurantes e lanchonetes. No início, lidar com a equipe operacional foi um grande desafio, pois percebi que tínhamos culturas diferentes. No início senti uma resistência por parte de alguns colaboradores, talvez por ser mulher, ter entrado como líder de um setor e por ser mais jovem. Aos poucos, conseguimos harmonizar e alinhar tudo em prol dos melhores resultados da empresa", relembra.


De acordo com ela, o trabalho na Maritime é muito dinâmico, tendo em vista as necessidades diferentes de cada embarcação que é atendida em todo o Nordeste. “Atualmente posso dizer que as coisas são mais leves. Isso se deve à boa conexão que tive de estabelecer com a equipe que lidero. Estou na Maritime há um ano. Nesse tempo, já me refiz algumas vezes e, sempre que for necessário, considero importante avaliar algumas atitudes. Aprendi que paciência e comunicação são pontos cruciais para um bom líder.”, frisa Beatriz Tavares.


O barulho, agora, é do salto alto


Com larga experiência em liderança, Geysa Campelo Leão, gestora de Compras da Maritime, afirma que o trabalho é desafiador na empresa de Ship Service lhe trouxe um salto como profissional.


“A Maritime foi a empresa que transformou a minha vida. Mesmo já vindo de algumas experiências anteriores, como gerência de alguns restaurantes, eu nunca cresci e aprendi tanto como na Maritime. Os desafios são diários, o trabalho é volumoso e eu me sinto desafiada a cada momento. A empresa incentiva o estudo, a evolução pessoal e sempre dá todo o suporte para que você aprimore e desenvolva ideias novas, invista em conhecimento, proporcionando segurança para que você faça, erre, acerte e faça novamente”, revela.


Geysa lembra, ainda, que mesmo com todos os desafios, nunca se sentiu perdida em meio a tantos colaboradores do sexo oposto. “A Maritime tem alma honesta, respeitosa e jamais admitiria que mulher alguma fosse desautorizada ou desrespeitada em seu ambiente de trabalho. Fui a primeira mulher a trabalhar aqui e, por muitos anos, a única. Claro que isso me trouxe uma forma mais firme, mais séria, pois como toda mulher, já passei por muitos momentos de assédio, discriminação, julgamentos e machismo em outros locais de trabalho. Não só a empresa em que trabalho, mas o ramo da navegação ainda é predominantemente masculino. Isso requer uma postura igualitária para saber entrar sem medo nesse tipo de ambiente”, analisa.


Ela destaca que, nos dias atuais, a Maritime tem 20 mulheres em seu quadro. “O banheiro feminino já apresenta fila, os batons lavados nas xícaras já dão bastante trabalho e é possível ouvir o barulho dos nossos saltos. Temos uma equipe formada por 15 líderes e metade deles são mulheres. Para ser líder você precisa ter empatia, paciência, comunicação bem clara, responsabilidade, muita humildade, saber que você pode sempre melhorar algo no seu trabalho, na sua vida e na vida das pessoas e estar sempre em busca de conhecimento”, comemora.


Sem intimidamento e desconforto


Adriana França, diretora de Recursos Humanos da Maritime, lembra que trabalhar numa função de liderança tendo uma grande quantidade de colaboradores do sexo masculino foi uma experiência totalmente nova para ela, mas que não se intimidou e nem ficou desconfortável.


“Confesso que o segredo disso tudo é relacionamento. Cheguei na Maritime mudando a cultura, porque era o próprio diretor da empresa que cuidava do RH. Eu fui buscando entender para poder gerir com transparência e para que eles vissem que podiam confiar em mim. Fico com a porta aberta e me coloco sempre à disposição para conversar com todos. Tem dado muito certo, pois estou acessível", afirma.


Sobre exercer liderança, Adriana mostra que é necessário, antes de mais nada, ter humildade e diálogo aberto. “O líder precisa ter envolvimento e estar comprometido com o desenvolvimento das pessoas, respeitar as diferenças, se responsabilizar junto com a equipe quando algo não dá certo e dividir a glória quando algum objetivo é alcançado, o que faz com que a empresa seja uma equipe, um time mesmo. Com jeitinho e foco, os colaboradores vão se engajando. O bom líder precisa ser admirado e ter influência sobre as pessoas com quem trabalha, além de ser grato e ensinar gratidão”, conclui.