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A pílula do dia seguinte funciona?

Pesquisa aponta que porcentagem significativa de brasileiros não usam camisinha durante relação sexual


Por Carol Amorim - Algo Mais Consultoria e Assessoria


A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência utilizado por mulheres que tiveram relações sexuais com homens sem proteção. Mas muitas dúvidas sobre a eficácia e o uso correto desse tipo de medicamento ainda surgem. Para sanar os questionamentos, a médica ginecologista e docente do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), Maria Jackeline Caldas, compartilha algumas informações sobre o uso da pílula.


Segundo dados da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP), divulgados em 2015, 45% da população brasileira não usa camisinha durante a relação sexual. Neste ano de 2022, nova pesquisa foi divulgada, dessa vez pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde foi apontado que a porcentagem de alunos do 9º ano do ensino fundamental das capitais estaduais, ativos sexualmente e que utilizaram camisinha na sua relação sexual mais recente caiu de 72,5% em 2009 para 59% em 2019.


Dados como esses demonstram uma deficiência sobre o conhecimento de metódos contraceptivos e de barreiras para um sexo seguro, sem gravidez indesejada ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Ao se tratar, especificamente, de um método antigravidez, apesar da relação desprotegida, a pílula do dia seguinte atua nessa prevenção e, segundo a médica Maria Jackeline, a eficácia da medicação pode chegar a 94%.


“Mesmo que não ingerida no dia seguinte após o coito, ela tem efeito em até 72 horas (três dias). A eficácia, no entanto, pode chegar a 94% se ingerida no dia seguinte. Assim, a pílula atua impedindo ou retardando a ovulação, dificultando a passagem dos espermatozóides pelo útero e sua chegada na tuba uterina, e dificultando reações de fecundação. Essas ações vão variar de acordo com a fase do ciclo menstrual em que a mulher está quando ingere a pílula”, explica.


Ela ainda conta que o uso dessa medicação pode oferecer riscos à saúde de algumas mulheres, como as que já apresentam contraindicação a pílula anticoncepcional de uso diário, as que possuem doenças cardiovasculares, doença hepática, enxaqueca, risco aumentado de trombose ou que estão amamentando. Para esse último grupo, há risco também para a saúde do bebê.


A médica faz outro alerta, dessa vez ao uso frequente desse tipo de medicação. Ela adverte que o uso recorrente pode gerar maior incidência de irregularidades menstruais, além de riscos de efeitos colaterais a curto e longo prazo devido à maior ingestão de hormônios.


“O contraceptivo de emergência pode ocasionar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, mal-estar, cansaço, inchaço por retenção hídrica e sensibilidade nos seios. Todavia, o efeito colateral mais acentuado é a desregulação do ciclo menstrual, de forma que a menstruação pode antecipar ou atrasar e esse descontrole pode permanecer por meses”, afirma.


Em caso de gravidez, apesar do uso da pílula, a médica também esclarece que a medicação não interfere no desenvolvimento do feto. Nesse caso, o hormônio da pílula atua na manutenção da gravidez ao invés de interrompê-la ou de causar danos ao bebê. “Além da pílula do dia seguinte, há outros métodos contraceptivos clássicos, usados antes das relações, como os anticoncepcionais hormonais, diafragma, camisinha, DIU, entre outros”, reforça.


Por fim, a médica ressalta que, para casos de estupro, o SUS oferece a medicação gratuitamente em locais de referência de saúde da mulher. Já em outras situações, como as relações consentidas, a mulher deverá adquirir a medicação, que é vendida em farmácias sem prescrição médica.