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Lixo eletrônico: efeitos socioambientais

Atualizado: Set 24

Lixo eletrônico pode provocar a contaminação do solo e até das pessoas com metais pesados, o que gera problemas respiratórios, danos ao sistema nervoso e câncer no pulmão


Por Elzir Souza - Algo Mais Consultoria e Assessoria


A facilidade de adquirir dispositivos móveis gerou um crescimento considerável de lixo eletrônico em todo o mundo. A rotatividade de eletrônicos e telefones celulares, por exemplo, onde comprar um novo é financeiramente mais viável que consertar, trouxe um grande problema em termos de sustentabilidade, pois produtos descartados de maneira errada podem gerar consequências ao meio ambiente e ao corpo humano.


Refletir sobre o “lixo eletrônico” é igualmente importante durante a Semana Nacional do Meio Ambiente, dentro da proposta de conscientização da sociedade brasileira sobre a importância da reciclagem e da preservação dos diferentes tipos de ecossistemas.


Segundo o estudo Globo e-Waste Monitor, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é, entre os países da América Latina, o que mais produz lixo eletrônico: cerca de 1,5 tonelada por ano, onde apenas 3% é coletado, reciclado ou descartado de forma apropriada.


Contribuindo para o aumento desse volume está o estímulo à obsolescência programada pelas grandes fabricantes, para motivar o consumidor a sempre trocar seu aparelho por um mais novo, mais moderno, mais diferenciado. O professor de Ciências da Computação do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), Pedro Ivo, ressalta os riscos que essa troca constante e impensada pode trazer ao meio ambiente e ao corpo humano.


“Há uma preocupação com o descarte irregular de celulares, tablets, computadores e outros itens como baterias que contêm elementos altamente danosos ao meio ambiente. Quando são deixados em lixões, podem liberar substâncias tóxicas na água, no solo e no ar. A contaminação do organismo com os metais pesados pode trazer diversas consequências para o organismo, gerando problemas respiratórios, danos ao sistema nervoso e até câncer no pulmão,” aponta o professor.


Como muitas pessoas não sabem o que deve ser feito com o produto que é descartado, é muito comum ver os eletrônicos misturados com lixo orgânico. Enquanto na reciclagem alguns materiais podem ser trabalhados por qualquer pessoa, os eletrônicos precisam ser encaminhados para locais específicos e tratados de forma apropriada, para melhor aproveitamento e correta destinação das peças.


“Existem componentes eletrônicos que contém ouro, metais e cobre. Todo esse material é desmontado e pode ser reaproveitado e assim criar um ciclo de uso, coleta e reutilização”, alerta o professor Pedro Ivo.


Dentro do seu celular


Alguns elementos contidos nos aparelhos descartados, embora sejam biodegradáveis, podem permanecer no solo por séculos. Os telefones celulares, por exemplo, são compostos por plásticos, vidros e metais, ou seja, materiais que podem ser reaproveitados pelas indústrias para a fabricação de outros aparelhos.


“Precisamos realizar campanhas que conscientizem a população sobre os benefícios que a coleta e a reciclagem podem trazer, tanto ecológica como para sua saúde. Mostrar que não é mera burocracia ambiental e ensinar como essa coleta pode gerar uma renda extra,” alerta.


Entre os produtos eletrônicos que estão sem utilidades, seja por quebra ou substituição e que podem ser reaproveitados (totalmente ou como fonte de reposição de peças), os mais comuns são televisores, rádios, computadores e tablets. Produtos maiores, como refrigeradores, máquinas de lavar e micro-ondas, enfrentam um pouco mais de dificuldade para destinação.


É possível encontrar no site da Prefeitura de Maceió informações sobre locais de descartes de materiais eletrônicos em diferentes bairros. As baterias podem ser entregues em qualquer loja de operadoras de celular, enquanto os supermercados aceitam o descarte de pilhas. Os demais eletrônicos podem ser coletados nos seguintes pontos:

  • Bio Digital – (82) 9648-7044 / 8705-9133 / 9157-8481; Rua Eliete Rolemberg de Figueiredo, 476-E – Clima Bom

  • SH Eletrônica – (82) 3035-5789; Av. Amélia Rosa, 979, Jatiúca

Mais informações podem ser encontradas no endereço eletrônico www.maceio.al.gov.br/slum/locais-de-descarte.