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Contribua com a luta antirracista

“Criado-mudo”, “humor negro”, “dia de branco”, são algumas das expressões que devem ser evitadas


Por Carol Amorim - Algo Mais Consultoria e Assessoria


O racismo está presente em nossa sociedade das mais diversas formas, seja por meio das poucas oportunidades de ascensão social disponibilizadas às pessoas negras ou, até mesmo, aos xingamentos racistas que essas pessoas ainda sofrem. E, além disso, o racismo também está presente através de expressões da língua portuguesa, por mais que muitas pessoas não conheçam suas origens. Diante disso, a luta antirracista também passa pela readaptação da linguagem, alerta a advogada e vice-presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB/AL, Synthya Maia.


Entre as expressões que podem ser destacadas como racistas estão “criado-mudo”, “mulata”, “humor negro” e tantas outras que se popularizaram no período escravocrata. Synthya Maia, que é egressa do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), defende que a discussão em torno do antirracismo também deve acontecer pela mudança no vocabulário.


“A língua que nós falamos hoje foi formada sob influência do período escravocrata. Então, algumas expressões racistas foram mantidas junto com a segregação do povo negro no Brasil. Então, nós temos expressões racistas mascaradas de elogio e até algumas verbalizadas com o intuito de ofender mesmo”, conta.


Ela também avalia que a luta antirracista precisa do apoio do Estado e de toda a sociedade, inclusive das pessoas brancas, para que toda forma de racismo seja combatida e para que as pessoas negras tenham acesso igualitário ao desenvolvimento, emprego, educação, saúde, saneamento básico e tantos outros direitos.


“É preciso deixar claro que o racismo no nosso país é, acima de tudo, estrutural. Então, estamos falando de uma estrutura social que privilegia uns a partir do prejuízo de outros e faz isso com a naturalização de situações, ações, omissões, falas e hábitos que, mesmo que indiretamente, levam à segregação. As pessoas negras estão no topo dos índices de vítimas de homicídio, são maioria no cárcere e em situação de vulnerabilidade. Além das consequências psicológicas do racismo, de famílias enlutadas pela ‘guerra ao tráfico’, que é a guerra a pessoas negras e pobres”, salienta.


A advogada ainda orienta sobre a importância da denúncia formal de atos racistas e injúria racial. Para isso, ela informa que a vítima pode realizar denúncia em delegacias, pela Internet e até mesmo por telefone através do Disque 190, para contatar a Polícia Militar.


“É importante que a vítima tente conseguir alguns meios de prova, seja filmando o momento do crime, possuindo documentos, reunindo testemunhas e qualquer forma que possa ajudar. Aqui em Alagoas, nós temos, ainda, a Delegacia de Vulneráveis que cumpre justamente o papel de crimes especializados. É importante também que a vítima esteja acompanhada de algum advogado ou advogada porque é importante ficar atento a tipificação do caso”, ressalta.

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